law_bottom_leftEmpregado, Funcionário, Colaborador, Empreendedor, Empresário, Profissional Liberal, Autônomo, etc.

A língua portuguesa, como qualquer outra, muitas vezes enfrenta problemas de definição. E na economia isso é algo especialmente comum. Consultores e gurus adoram criar termos e significados novos, quase sempre desnecessários. E mesmos termos seculares sofrem mutações, afinal, toda língua é viva.

Este artigo tenta resolver a crise de identidade de alguns amigos. Vamos, aqui, repassar o primeiro e básico grupo de definições que nos rotulam. Se não houver controvérsias, vamos ficar assim combinados.

Como a meta é simplificar, começo propondo apenas duas macro-categorias: Empregados e Empregadores. Ou você é um, ou outro. Pode até ser dois, mas nunca simultaneamente em uma mesma organização.

Se você é Empregado, é só Empregado. Simples. No máximo se chamar Funcionário, que é um sinônimo perfeito. E não me venha com o tal de Colaborador. Isso foi uma infeliz invenção, provavelmente de alguém da neurolinguística querendo motivar uma equipe. É mais um exagero da dialética. E que vai demorar a sumir.

Colaborar é ajudar, eventualmente de forma remunerada, mas nunca assalariada. Se ganha salário, é Empregado. A pessoa trabalha e é paga por isso. Uma troca. Simples. O Colaborador remunerado é uma distorção e uma exceção, que quando ocorre é sem vínculo empregatício. Viu esse nome? Empregatício. Será que existe vínculo colaboratício?
Bom, se você NÃO é assalariado, digo, Empregado, bingo, é um Empregador. Mas se você não tem empregado? Nem empresa? Então, como pode ser um Empregador?

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Simples. Neste caso você é um Autônomo. O único detalhe é que você não possui um Empregado. Mas poderia. E quando tiver, permanecerá como Autônomo, ainda que acompanhado. Coisa de doido. O detalhe que diferencia é você assinar a carteira de trabalho do Empregado em seu nome, e não no de uma empresa.

Só pra complementar. Se você tem uma profissão específica, regulamentada, como médico, advogado e arquiteto, você pode adotar o pomposo nome de Profissional Liberal. O problema é que também existe o Profissional Liberal Empregado, que é o profissional de profissão regulamentada empregado. Mas deixa pra lá. Isso é invenção de sindicato. E você pode ser dono de uma clínica, mas aí vira Empresário.

dono do próprio negócioEnfim, se você é um Empregador, sem CNPJ, é um Autônomo. Com ou sem Empregados. Simples.
Mas aí você resolve abrir uma empresa, que quase sempre, ou sempre, é mais vantajoso tributariamente do que ser Autônomo. Aí você virou Empresário. E a sua empresa pode ser de vários tipos, ou tamanhos: Micro Empreendedor Individual – MEI, Microempresa e Empresa de Pequeno, Médio ou Grande Porte. O tipo mais novo, e mais doido, é o Micro Empreendedor Individual. Doido porque você pode ter um Empregado e não ser Empreendedor. Vai entender esse nome. Aí piorou tudo com as pessoas recusando o adotar o termo micro. O governo só fala agora em Empreendedor Individual – EI, mas na lei ainda está o micro. Trem de doido.

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Finalmente chegamos ao Empreendedor. Essa é uma palavra que vem sendo moldada desde o século dezessete. A componente de ser uma pessoa que idealiza e realiza tarefas difíceis e que tem comportamento arrojado estão sempre presentes. Alguns autores consideram que o Empreendedor teria ainda que arriscar seu próprio dinheiro, mas muitos acham que isso não é necessário, apontando a figura do Empregado Empreendedor. Eu concordo com os últimos. Vejo todos os dias Empregados que são Empreendedores. E muitos irão virar Empresários. Assim como vejo muitos Empresários que não são Empreendedores, como herdeiros ou donos de pequenos negócios tradicionais sem proposta de crescimento. E está tudo certo.

O fato é que você pode ou não ser Empreendedor, tanto sendo Empregado quanto Empregador.

Resumo, simples, da história:

Ou você é Empregado ou Empregador.
No caso de Empregador, você pode ser Autônomo ou Empresário.
E, adicionalmente, pode ser um Empreendedor em qualquer um desses casos.
E ficamos combinados.

Flávio Barcellos
Consultor

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