negócios com amigos e parentesQuando se trata de se fazer negócios com amigos e familiares, há uma série de questões a se cuidar. Apesar das melhores das intenções e das esperanças mais elevadas, aquilo que começa como um projeto ou interação aparentemente “tranquilo” e em benefício mútuo pode transformar-se em algo envolvendo desde um pequeno mal-estar a até mesmo um enorme pesadelo.

Não se trata aqui de se tocar uma empresa familiar – este é um outro tópico que contem o seu próprio conjunto de riscos e desafios – estamos falando em comprar, vender e fazer negócios com amigos e parentes. Vejamos algumas das armadilhas mais comuns:

Você perde o dinheiro deles.

Esta é a pior de todas. A gente sempre ouve dizer “Nunca invista um dinheiro que você não esteja preparado para perder,” e eu tenho certeza de que a maioria das pessoas pensam assim quando põem o seu dinheiro nas mãos de um amigo ou de um parente. Mas quando o dinheiro desce pelo ralo, as pessoas têm uma tendência de tornarem-se um tanto menos filosóficas. Elas até podem dizer “Olha, deixa isso prá lá, eu sabia o risco que estava correndo,” mas com toda probabilidade o seu relacionamento ficará para sempre manchado – seja de forma sutil ou dramática – por essa experiência. Muitas vezes se diz que o dinheiro da família é o mais fácil de se conseguir, mas ele é também o que pode sair mais caro.

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Um negócio dá errado.

Um amigo meu recentemente fez um negócio imobiliário com um parente próximo. Eles achavam que aquilo ia ser uma barbada, e que eles ganhariam uns bons trocados juntos, jamais imaginando que alguma coisa possivelmente iria dar errado. Mas quando algumas questões críticas vieram à tona, eles viram-se em um impasse que terminou de maneira feia e dispendiosa. Digamos simplesmente que eles não são mais tão íntimos quanto costumavam ser. Assim como em qualquer questão de negócios, por mais blindado que um plano possa parecer aos nossos olhos, é sensato assumir que as coisas podem e muitas vezes tomam um rumo inesperado. E um “erro na família” pode ser muito pior do que um “erro nos negócios.”

O negócio comparece ao pique-nique da família.

Há pessoas que são capazes de isolar-se totalmente do trabalho, e que riscam uma sólida linha em suas vidas quando fecham as portas do escritório atrás de si. Eu admiro gente assim, ainda que conheça um número extremamente pequeno delas. O resto de nós, inevitavelmente, trazemos o nosso trabalho conosco de uma forma ou de outra. Quando você faz negócios com a família e com os amigos, em algum momento você estará com eles em um churrasco, aniversário, festinha ou casamento. Se houver tensão (ou coisa pior) fermentando entre vocês, tirando-se o seu próprio desconforto, isso afetará – e potencialmente infectará – todo mundo à sua volta. O resultado poderá variar desde um mal-estar de curto prazo a um desastre de dimensões imprevisíveis.

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Não há como voltar atrás.

A partir do momento que você entra em “intimidade empresarial” e começa a fazer negócios com gente próxima a você, entra-se em um curso que é difícil de alterar ou de reverter. Seja ao criar-se expectativas (produtos e serviços gratuitos ou com desconto), ou ao estabelecerem-se presunções problemáticas (“Eu pensei que seria dispensado de todos esses custos”), alterar ou suspender um negócio com amigos ou familiares é muito mais difícil do que em negócios comuns.

O dano colateral.

Há várias situações em que você poderá ser tentado a servir de intermediário, ou suprir conexões de negócios para um amigo ou parente. Você tem importantes contatos de negócios, apresenta-os a um amigo ou parente, e a situação entre eles azeda por uma ou por outra razão. Todos nós gostamos de pensar que adultos são capazes de manter a cabeça fria nessas situações, mas ainda aqui, a natureza humana é tal que é sempre fácil ser tranquilo e filosófico na entrada, mas muito mais difícil na saída. Se você decidir bancar o santo casamenteiro, assegure-se de que tenha ficado muito claro para todas as partes que você está simplesmente fazendo uma apresentação, e que o resto é de exclusiva responsabilidade deles. Você pode até mesmo adotar um tom pseudo-humorístico e dizer “Não ponham a culpa em mim se vocês acabarem odiando-se um ao outro,” para imprimir um caráter ainda mais explícito à sua posição. De fato, se você tiver a mínima suspeita de que estará celebrando uma conexão arriscada, o melhor mesmo é ficar calado, morder a língua e não apresentar ninguém.

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É claro que seria ótimo, se fazer negócios com os nossos entes queridos fosse sempre um prazer compensador e sem riscos. Certamente, há vezes em que tudo corre às mil maravilhas, mas há muitas outras vezes em que isso não acontece. Como muitas outras coisas no mundo dos negócios, é sempre bom tentar prever o cenário pior possível (um conhecido ligeiramente melindrado, um mal-estar pessoal, um parente que nunca mais voltará a dirigir-lhe a palavra), e levar em conta as razões, benefícios e alternativas presentes em cada caso. Decida se esse é um risco que vale a pena ser corrido, e se você conseguirá viver com as possíveis consequências.

E lembre-se, mesmo quando as coisas são totalmente “sem compromisso,” sempre subentendem-se compromissos.

Marco Fernandes

ProLucro Consultoria Empresarial

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