Avaliação de Empresa Parte I: o que é e como é feita
Parte I: o que é e como é feita a Avaliação de Empresa

Este artigo sobre Avaliação de Empresa está dividido em duas partes. O primeiro é: o que é e como é feita. Já o segundo tem uma abordagem curiosa: quem contrata e quem não contrata.


O QUE É

A avaliação de empresa é a atividade de calcular quanto vale uma empresa. Isso é feito usualmente por profissionais preparados que utilizam uma ou mais técnicas, próprias ou conhecidas pelo mercado.

Uma avaliação de empresa leva em consideração diversos itens, mas podemos resumir os mesmos em:

  •      Faturamento

Ele determina o porte do negócio. Não compõe sozinho o preço, mas é fundamental na definição da escala do empreendimento. Compradores buscam negócios compatíveis com suas metas de faturamento. Existem compradores para empresas de todos os portes.

  •      Lucratividade / Resultado Operacional

Tamanho do faturamento não é tudo. A lucratividade, ou Resultado Operacional, pode ser até mais relevante na formação do preço da empresa. Uma empresa com lucros consistentes pode valer mais que uma com faturamento muito maior. Mas mesmo empresas que dão prejuízo possuem valor, claro. No caso de empresas com forte potencial de crescimento, o fato de ainda dar prejuízo é pouco relevante.

  •       Patrimônio Líquido

É um cálculo do valor de itens basicamente tangíveis. Trata-se da diferença entre o valor de ativos (equipamentos, estoque, contas a receber, imóveis, direitos, etc.) e de passivos (dívidas, financiamentos, contas a pagar, passivo trabalhista, etc.). Em alguns casos é negativo, o que pode não significar muita coisa.

  •      Projeção do Futuro
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É o item mais complexo de responder, pois busca identificar e valorar a tendência da empresa no mercado, se é de alta, estabilidade ou baixa. Na prática, tenta medir o potencial de crescimento do faturamento ou lucratividade a partir de mudanças na gestão, realização de investimentos e expectativas de mudanças no mercado. Está aqui o fator de grande subjetividade em várias avaliações.

COMO É FEITA

Avaliação de Empresa Parte I: o que é e como é feitaPara uma execução profissional do serviço é assim necessário levantar todos os dados acima, o que é mais ou menos trabalhoso, variando menos com o porte e mais com o nível de organização da empresa. Em geral, esse trabalho de levantamento de dados é feito pela própria empresa e seu contador sob a coordenação do avaliador. O prazo de levantamento pode variar muito, mas três semanas é uma média prática.

De posse de todos os dados, são aplicados um ou mais métodos de avaliação. A ProLucro, por exemplo, utiliza três métodos distintos: lucratividade simples, lucratividade composta e fluxo de caixa descontado. E ainda trabalha com a realidade atual e a realidade provável, forma de atenuar a subjetividade da Projeção de Futuro. Isso é feito em especial nos casos em que algumas mudanças simples de serem feitas e alguns poucos e baixos investimentos podem alavancar seu preço de venda.

Em resumo, a lucratividade simples baseia-se na remuneração do capital investido e risco da atividade, como uma aplicação financeira. A lucratividade composta considera a lucratividade e o patrimônio líquido, método mais próximo da velha prática de múltiplos do faturamento. E o fluxo de caixa descontado projeta o lucro da empresa nos próximos anos e os traz para o dia de hoje descontando uma taxa de juros atrativa para o comprador. Na prática, poucas vezes é útil no caso de pequenas empresas, já que exige projetar o lucro da mesma por pelo menos cinco anos, algo muito impreciso. Mas é o método mais utilizado nas médias e grandes empresas, ainda que também muito impreciso também para elas, em especial no Brasil. Já os dois primeiros métodos são uma radiografia do momento, com influência do passado e futuro próximos apenas.

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Algumas empresas oferecem mais métodos ainda, mas nossa prática mostra que isso não confere mais assertividade ao trabalho, e quase sempre o encarece.

O resultado final é um laudo que diz o preço médio da empresa dentre as metodologias utilizadas e também uma sugestão de preço mínimo.

O VALOR DE FECHAMENTO NA PRÁTICA

markupMas o valor obtido em uma venda / compra é influenciado ainda por dois fatores muito relevantes e que só aparecem na hora das negociações.

  •      O interesse de quem quer vender
  •      O interesse de quem quer comprar

É comum negócios serem fechados por valores diferentes do avaliado. Isso decorre principalmente em função desses interesses.

Se o preço não valer a pena para o vendedor, ele pede um valor maior, que justifique a venda. Se o interessado achar que ainda vale a pena, o negócio sai. O comprador mais disposto a pagar um valor adicional é uma empresa do mesmo setor querendo entrar no mercado onde está o vendedor. É chamado crescimento via aquisições.

A recíproca, no entanto, também é verdadeira. Se o comprador achar que o preço não vale a pena, pode oferecer um valor menor. Nestes casos o negócio só é fechado se o vendedor achar que mesmo assim vale a pena. E são fatores para isso, exemplos, a vontade muito forte dele mudar de vida ou a existência de uma oportunidade de negócio a ser feita com o dinheiro da venda que recupere na mesma o preço à menor na venda.

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Na próxima parte vamos falar de quem efetivamente contrata avaliação de empresa e sua utilidade, e também de quem cota e não contrata. É bem curioso.

flavio Flávio Barcellos
Especialista em consultoria em pequenas empresas, com 20 anos de experiência, tendo atuado pessoalmente em mais de 400 serviços. Especialista em programas de políticas públicas para pequenas empresas, com mais de 100 serviços prestados a órgãos públicos, associações empresarias, sindicatos e Sistema S. Consultor credenciado do SEBRAE. Engenheiro.

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