Cadeias Produtivas: Como DesenvolverNós fomos convidados pela SBAU – Sociedade Brasileira de Arboricultura Urbana, na pessoa do amigo Pedro Mendes Castro, para apresentarmos uma palestra seguida de debate sobre O Potencial de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Arbonegócio. A palestra aconteceu em dezembro de 2016 recente no âmbito do I Congresso Latino Americano da International Society of Arboriculture – ISA e 20º Congresso Brasileiro de Arboricultura Urbana. Para quem não sabe, a arboricultura urbana é a atividade de plantio, manutenção e supressão de árvores em centros urbanos. É um setor econômico que vem passando por um processo contínuo de expansão, mas com potencial muito maior que o atual desempenho.

Foi muito bom fazer uma nova reflexão sobre o desenvolvimento de uma cadeia produtiva. A ProLucro, além de atender pequenas e médias empresas, presta serviços para instituições públicas e do terceiro setor desenvolvendo programas de políticas públicas. E atualizar o tema foi bom, pois nos permitiu fazer um resumo bem objetivo, aplicado a qualquer setor. O texto apresentado abaixo é o das principais telas da apresentação. Ele trata de um setor específico, mas até isso é interessante, pois trata-se de um exemplo prático, facilmente transponível para outros setores. As principais telas são da apresentação. Vejamos:

O DESENVOLVIMENTO DE UMA CADEIA PRODUTIVA – EXEMPLO PRÁTICO DO ARBONEGÓCIO

O QUE É
Desenvolver a cadeia produtiva do arbonegócio é, fundamentalmente, desenvolver quantitativa e qualitativamente a demanda por árvores e, em paralelo, nunca à frente, a oferta.

DEMANDA
É a única coisa que gera, de fato, uma oportunidade de negócios. Deve ser a referência máxima de qualquer projeto de geração de negócios, público ou privado. Desejável que seja saudável, ou seja, sustentável técnica, legal, social, ambiental e financeiramente (pagar em dia).

DEMANDANTE (CLIENTE)
É quem tem uma demanda e está em busca de um empreendedor (fornecedor) para atendê-la. Pode ser um pessoa física. Pode ser uma pessoa jurídica pública, privada ou do terceiro setor. Busca sempre comprar mais por menos. Tem interesse no aumento da produtividade dos fornecedores (empreendedores), pois aumenta a sua produtividade e competitividade (empresas). Boa parte está interessada em inovação vinda dos fornecedores, já que é mais um meio de aumentar a própria produtividade e competitividade (empresas).

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OFERTANTE (FORNECEDOR)
Pode ser uma pessoa física (autônomo). Pode ser uma pessoa jurídica (empresa). Tem que ser capaz técnica, legal e financeiramente de empreender um negócio. Se organiza como empresa.

PRODUTIVIDADE
É a relação entre a quantidade produzida e a quantidade de fatores de produção utilizados. É o principal, ainda que não único e bastante, indicador de eficiência e eficácia de gestão de uma empresa. É também um importante indicador do grau de desenvolvimento de cadeias produtivas, setores econômicos, regiões geográficas e, por extensão, países e continentes.

NEGÓCIOS ACONTECEM
Quando surge uma demanda, ou seja, uma oportunidade de . E aparece pelo menos um empreendedor interessado em aproveitar essa demanda.

A ATIVIDADE DE GERAR NEGÓCIO

DO DEMANDANTE
É a busca e contratação de um ofertante (fornecedor) capaz e interessado em atender sua demanda.

DO EMPREENDEDOR
É a busca e captação no mercado de oportunidades de negócio (demandas) interessantes para ele.

DO AGENTE DE POLÍTICA PÚBLICAS
É a atividade de identificar e promover oportunidades de negócio (demandas) atuais e potenciais. E ao mesmo tempo é a atividade de identificar e habilitar empreendedores para aproveitar essas oportunidades.

DAS DEMANDAS ATUAIS
Trata-se de demandas já recorrentes no mercado, vinda de clientes finais tradicionais, como distribuidoras de energia, prefeituras de médias e grandes cidades e construtoras de condomínios. O foco de uma política pública é basicamente informativo, qualitativo, regulador, normativo, etc.. A capacidade de geração de maior demanda junto a esses agentes é reduzida, pois já conhecem o produto e em geral querem é gastar menos. Os mecanismos de informação mais comuns são: Sites / Eventos / Campanhas / Publicações. Melhoram a qualidade da cadeia produtiva ao promoverem as melhores técnicas e bons e novos fornecedores (estímulo à produtividade). Outra ferramenta potencial de melhoria qualitativa é a criação de leis regulatórias. O lado ruim é que em geral são restritivas de demandas em um primeiro momento por quase sempre agregarem custo.

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DAS DEMANDAS POTENCIAIS
Trata-se de demandas que ainda não existem, mas que podem ter seu nascimento acelerado. Este deve ser o grande foco de quem quer desenvolver a cadeia produtiva quantitativamente.

DESENVOLVIMENTO DE VALOR
As pessoas precisam conhecer o produto (maior arborização de ruas e praças) e sua vantagens (melhor qualidade de vida/saúde) para valorizá-lo mais e cobrar das prefeituras. Prefeitos e vereadores também podem ser sensibilizados, instruídos sobre etapas e custos e ter acesso aos mecanismos de realização. As pessoas que lidam com o meio ambiente também podem ser sensibilizadas sobre o trato urbano ser tão ou mais importante que o rural, pois é lá que hoje vivem quase todas as pessoas, significando maior destinação de verbas estaduais, federais e internacionais. O voluntariado pode ser estimulado e organizado para ser eficaz e, assim, permanente (sentimento real e prazeroso de contribuição social). 5% de toda mão de obra envolvida em arboricultura urbana nos EUA é voluntaria.

TECNOLOGIA & PRODUTIVIDADE
Produtividade é a chave, pois significa custo / árvore mais baixo. Se o custo cai pela metade, com o mesmo dinheiro um prefeito atende o dobro de eleitores, ou seja, sua possibilidade de investir também “dobra”. A manutenção é mais importante ainda do que o plantio, pois para manter tudo bonito, se tornam um custo fixo, como uma folha de pagamento. Deve se pensar não só nas árvores, mas também na praça como um todo. Exemplo: substituir gramados por outras forrageiras menos exigentes em poda e irrigação, utilizar mobiliário rústico, resistente à depredação, etc.. Apoiar a mecanização, acelerando o processo que hoje se dá na construção civil. Apoiar a nacionalização dos equipamentos. Mecanização significa menos empregos nas atividades braçais, mas mais nas fábricas e nas máquinas operatrizes, que são de maior salário. E significa, principalmente, menores custos por árvore, que representam mais árvores, que representam mais qualidade de vida para a população.

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LEGISLAÇÃO & LOBBY (ORÇAMENTO)
Apoiar a criação de leis federais e estaduais que favoreçam o setor, como: Benefícios fiscais para bens e serviços de arborização. Metas de longo prazo (20 anos passam) para quantidade per capta de árvores / habitante. Estimular a criação de leis municipais que regulem a atividade e criem metas em nível municipal. Fazer lobby sistemático junto a congressistas para programas, verbas e fundos com foco em arborização urbana. Fazer lobby junto aos agentes financeiro públicos (BNDE, CEF, BB, etc.) e privados para que criem fundos de financiamento a juros baixo (ambiental) a prefeituras e empresas da cadeia produtiva.

COMO FAZER TUDO ISSO
SBAU prospectar e convidar parceiros efetivamente interessados no meio de: Empresas da cadeia produtiva / ONGs Ambientais / Órgão Ambientais / Associações de Prefeituras: FNP, CNM e ABM / Distribuidoras de Energia. O grande grupo organizar um Grupo de Trabalho Executivo financiado pelos integrantes. O GTE elaborar e aprovar junto ao grande grupo a tríade do sucesso: diagnóstico preciso, estabelecimento de metas viáveis e planejamento executivo. O GTE ou outra organização modelada no planejamento executivo partir para o funding e implantação.

Esse é um exemplo prático, sugerido à SBAU. Espero que seja útil aos mesmos e a você que chegou até aqui e esteja querendo desenvolver alguma cadeia produtiva.

flavio Flávio Barcellos
Especialista em consultoria em pequenas empresas, com 20 anos de experiência, tendo atuado pessoalmente em mais de 400 serviços. Especialista em programas de políticas públicas para pequenas empresas, com mais de 100 serviços prestados a órgãos públicos, associações empresarias, sindicatos e Sistema S. Consultor credenciado do SEBRAE. Engenheiro.

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