O livro Os Ciclos de Vida das Organizações, de Ichak Adizes, ainda da década de 80, é ainda uma das abordagens mais interessantes sobre as fases de nascimento, crescimento, envelhecimento e morte das empresas.

O ciclo de vida das organizações: em que fase sua empresa está?

O livro descreve cada fase dessas com riqueza de detalhes e vale a pena ler. Vou fazer aqui apenas um resumo resumido apenas para provocar o leitor. As fases finais são mais visíveis em médias e grandes empresas, pois chegaram lá após passarem pela Plenitude. Mas ocorrem também em pequenas empresas, que só não cresceram em termos de tamanho como as demais.

Onde sua empresa está?

Namoro
A empresa é ainda uma ideia e por trás dela está um pretenso empreendedor, muito motivado, sonhando um bom sonho. Próximos passos: abrir ou deixar a deia morrer.

Infância
O dono é o puxador, faz tudo, centralizador, a empresa é sua cara, não tem processos definidos, equipe amadora, sem metas e planejamento, age por impulso, sempre apertada, vive de crise em crise. É nessa fase que ocorre a primeira e grande leva de mortalidade. Das que sobrevivem, muitas ficam presas na infância anos a fio. As que crescem pulam para a próxima fase.

Toca-toca
É basicamente a mesma empresa infantil, mas que consegue vender bem e produzir bem. Vai tocando. O mérito em geral está nos donos, empreendedores intuitivos e dedicados. Às vezes uma família. E é essa a armadilha, a crença de que tudo só funciona por causa deles. Ao só acreditarem em si, no seu trabalho, ou seja, não acreditarem na profissionalização, empacam nesse estágio. E morrem em uma crise mais aguda ou quando cansam.

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Adolescência
Começa o processo de delegação, inicialmente incompetente. Muito vai e volta nesse processo. O foco começa a sair do mais para o melhor. Conflitos entre a velha e jovem guarda, entre o fundador e gerentes, entre as metas pessoais e empresariais. Muito tempo perdido em conflitos e mudanças de processos falhas. É fase difícil, dolorida. Quando o dono não dá conta, as empresas recuam para a fase Toca-toca. As que conseguem superar tudo isso, ou seja, construíram equipes e processos eficientes e eficazes, a empresa alcança a plenitude. Mas há que morra aqui também.

Plenitude
Aqui tudo funciona bem. A empresa tem processos, equipe treinada e com autonomia, metas e planejamento, lucro, crescimento, reinvestimentos, criação de novos negócios, dinamismo. É o que chamamos de atingir o sucesso. Se não conseguir se renovar continuamente, pula para a próxima fase e começa o declínio, rápido ou lento.

Estabilidade
Presa ao que deu certo no passado, perda de flexibilidade, bem organizada e lucrativa, sensação de segurança, menos expectativas de crescimento, desconfia de mudanças. É a primeira fase do envelhecimento.

Aristocracia
Dinheiro em caixa, investe em alguns luxos, formalidades, conflitos camuflados, poucas mudanças, pouca inovação, muitos controles, perda de flexibilidade, conservadorismo, produtos envelhecidos.  É quando ocorrem mais fusões e aquisições. Começam as perdas financeiras.

Burocracia Incipiente
Começam as perdas em função da falta de capacidade de se renovar. Paranoia geral, demissão de funcionários na busca de culpados, perda de talentos criativos, perda de dinheiro acelerada, rumo a falência. Aqui muitas morrem, em especial as pequenas organizações.

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Burocracia
Burocracia geral, dissociada da realidade, não gera lucros. Grandes organizações podem conseguir viver assim, como zumbis, por anos, se detiverem o controle do seu mercado ou se houver interesse do governo e sindicatos. É fase final que leva à:

Morte
Ciclo de vida chega ao fim. A empresa fecha, quase sempre deixando prejuízos.

Um exemplo real: a fase da ProLucro, nossa empresa
A ProLucro está claramente na Adolescência, apesar de ter 18 anos. Isso ocorre porque há seis ou sete anos optamos por deixar de ser uma pequena empresa de consultoria, centrada nos sócios. Além de crescer, optamos por um foco exclusivo em pequenas empresas. Só que vender consultoria para pequenas empresas em larga escala tem se mostrado muito complexo. Superar a falta de hábito, visão de que é custo e não investimento e desconfiança dos empresários em relação a consultoria tem sido um enorme desafio. Já tivemos algumas idas e voltas em mudanças de processos e delegações internas, ou seja, perda de tempo e dinheiro. Algumas tarefas saem e voltam para as mãos dos sócios, em especial do comercial. Os produtos em si avançam de forma mais linear em termos de qualidade e produtividade, o que nos mais motiva. O destaque está sendo a consultoria à distância, que esse ano virou o carro chefe da empresa. Essa virada começou há três anos, quando focamos a venda pela Internet. Olhada de forma separada, a consultoria à distância está sendo um sucesso. Mas o todo está sendo difícil, dolorido, ainda mais com essa crise. Com a idade chegando, tem horas que pensamos em voltar para o Toca-toca, muito comum e menos traumático em pequenas empresas de consultoria, que são centradas nos sócios. Mas quando enxergamos a próxima fase, a Plenitude, a poucos passos, recobramos as energias. O sonho da ProLucro de virar uma média ou grande empresa de consultoria para pequenas empresas permanece vivo.

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ONDE SUA EMPRESA ESTÁ?

flavio Flávio Barcellos
Especialista em consultoria em pequenas empresas, com 20 anos de experiência, tendo atuado pessoalmente em mais de 400 serviços. Especialista em programas de políticas públicas para pequenas empresas, com mais de 100 serviços prestados a órgãos públicos, associações empresarias, sindicatos e Sistema S. Consultor credenciado do SEBRAE. Engenheiro.

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