Como evitar a sobrecarga de trabalhoO excesso de trabalho foi direto para as costas de José Dinâmico. Fundador da empreiteira Dinâmica, ele tem sofrido de uma dor crônica nas costas relacionada ao stress por mais de uma década. Mesmo ainda convalescente de uma cirurgia na coluna, o ritmo não diminui. A sua caixa postal enche-se à taxa de 50 e-mails por hora. O problema nas costas “tem tudo a ver com o fato de que sinto-me na obrigação de estar de plantão 24 horas/dia – 7 dias/semana,” diz Dinâmico. “Isso não é bom para o meu bem-estar físico e mental.”

Os pesquisadores concordam. Longas horas frequentes podem aumentar o stress e desencadear um monte de riscos à saúde, incluindo a insônia e a pressão alta. A sua capacidade de tomar decisões acertadas diminui. E ao contrário do seu laptop, o seu sistema não possui um ventilador interno para refrescar a placa.

Um estudo feito em 2006 apurou que semanas crônicas de mais de 51 horas de trabalho podem triplicar o risco da hipertensão. Segundo um levantamento feito entre os servidores públicos da Grã-Bretanha, jornadas de mais de 11 ou 12 horas aumentam o risco de eventos coronários em 56%. O stress é o grande vilão, disparando a liberação de hormônios que contribuem para a proliferação de placas no interior das artérias. Dias de trabalho excessivamente longos também estão ligados a problemas de insônia e depressão.

O trabalho ininterrupto pode levar àquilo que os japoneses chamam karoshi – literalmente, trabalhar até morrer. Pesquisadores japoneses descobriram uma ligação entre longas horas, alta pressão sanguínea, doença cardíaca e um estilo de vida insalubre – sem exercícios, noites em claro, maus hábitos alimentares, poucas visitas ao médico e uma crescente ansiedade e tensão. Isso soa-lhe familiar?

Se você não é capaz de cuidar de si próprio, também não será capaz de cuidar do seu negócio. Mas essa partícula de bom-senso geralmente é soterrada pela sobrecarga e pelo seu sócio, o stress. Parar por um minuto? Impossível. Delegar? Levaria tempo demais para explicar as manhas a um gerente. Dar um tempo para recarregar? Tenho muito o que fazer. Desligar o Blackberry à noite? Eu poderia perder uma venda.

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Empreendedores são, é claro, uma galera hiperativa por definição. Isso geralmente é uma coisa boa. Mas o vício da ação pode perturbar a reflexão necessária ao estabelecimento de limites e ao trabalho inteligente. Um número excessivo de empreendedores escorrega para o comportamento reativo, tendo um sobressalto reflexivo ao sininho de um novo e-mail, à pressão do tic-tac do relógio, e outras pressões e interrupções externas. Eles permitem que a tecnologia e o tempo os administre. Isso leva ao modelo de trabalho por combustão – eles simplesmente continuam a ir em frente até a chegada dos pára-médicos.

A realidade é que, por mais embalado que você possa sentir-se, o seu corpo não foi criado para trabalhar sem pausas. Horas infinitas de trabalho não levam a um aumento de produtividade ou de inovação. Esses ganhos são fruto de um cérebro descansado, renovado e energizado. Você pode fazer mais em menos tempo quando sabe dizer quando.

Como diz o velho ditado do mundo dos negócios, o trabalho cresce para preencher o tempo disponível. Se você não impuser limites a si próprio, todo o seu tempo torna-se tempo disponível.

“Se alguém está sobrecarregado, fatigado e bombardeado por estímulos à toda hora, em algum ponto ele padecerá de um decréscimo da função cognitiva, fadiga, dificuldade de concentração e um decréscimo da habilidade em processar informações e tomar decisões,” diz um estudo da escola de Psicologia Profissional de Chicago. “Isso é semelhante à estafa que acomete os pilotos.” Mas ao contrário dos pilotos, não há regras especificando o número de horas diárias que um empreendedor pode trabalhar.

A tomografia de um cérebro fatigado é igualzinha à de alguém que dorme profundamente. Quando chega uma certa hora do dia, não há muita atividade acontecendo naquela área. A produtividade despenca após oito horas, e o stress aumenta. Um estudo apurou que nos aspectos de atenção e vigilância, os médicos residentes que fazem plantões de 80 horas semanais têm um monte de coisas em comum com pessoas embriagadas.

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Graças a uma explosiva mistura de entusiasmo e disposição, não é incomum observarmos um empreendedor degenerar de trabalhador compulsivo para um workaholic crônico. A produção passa a ser a única coisa que tem valor. Ponha um freio à produção ininterrupta e você vai sentir-se sem valor ou culpado. A falácia da produção total não dá-lhe tempo para a reflexão e recarga necessárias a um desempenho otimizado.

Empreendedores precisam de períodos de intensa atividade, mas se isso não for equilibrado com reflexão, relaxamanto e algo que afaste a sua mente do trabalho, você não será capaz de ser inovador, criador e de encontrar soluções para os problemas. O antídoto para o excesso de trabalho são os limites. Quando você estabelece regras de como emprega o seu tempo, você ganha controle, elimina stress e fica mais satisfeito com o trabalho e com a vida. Um estudo da universidade de Harvard levantou que o traço determinante de homens de negócios que experimentam uma real satisfação em suas vidas é “a deliberada imposição de limites.” Gente que é boa no estabelecimento de limites sabe a hora de dizer, “chega.”

Você não é um grande fã de “chega”? Você não está sozinho. Saber a hora de dar um tempo não é o forte da maioria dos empreendedores. Mas a não ser que você trace algumas linhas na areia – ou em sua agenda eletrônica – a emoção de estar no controle do seu destino pode murchar rapidamente. Afastar-se da empresa que você ama, e pela qual você faria tudo? Estudos médicos indicam que as pessoas acabam odiando o trabalho que amam, se não estabelecerem limites ao espaço ocupado por esse trabalho em seus calendários.

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A saída da armadilha é impor limites – na sua disponibilidade junto aos clientes, no seu telefone celular, nas horas que você fica conectado por dia ou por semana, e nos contatos noite a dentro e no fim de semana.

Os psicólogos dizem que nós superestimamos os efeitos negativos de dizermos “não.” Isso é algo colorido pelos pensamentos mórbidos do cérebro inferior, emocional. Nós também subestimamos o custo de dizermos “sim.” À medida que o Zé Dinâmico começou a impor limites na esperança de eliminar o stress e a dor na coluna, “dizer não é a coisa com a qual eu tive a maior dificuldade,” ele diz. “Você não quer perder o cliente. Mas eu não tenho mais problema em dizer não. Quando você diz, eles até respeitam você mais.”

Sem um claro sinal do que não está valendo, acaba valendo tudo. Se você for evasivo, as pessoas assumem que você está disponível o tempo todo. Você precisa traçar linhas claras que todos possam entender – e obedecê-las. Em uma semana, dois clientes ligaram para o Zé Dinâmico tarde da noite em sua casa. Ele disse-lhes que dez da noite não dava. Tanto um cliente quanto o outro acabaram pedindo-lhe mil desculpas.

A maioria dos seus clientes será capaz de compreender isso, mas às vezes é necessário disparar um e-mail impondo limites, explicando que você continuará a prestar os serviços excelentes de sempre, mas que tem obrigações fora do negócio que também precisam ser respeitadas.

Marco Fernandes

ProLucro Consultoria Empresarial

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