Delegar o seu trabalho não significa delegar o seu negócioA arte da delegação é um dos princípios mais antigos que existem na área da administração. Mas os experts têm exagerado esse conceito com tanta veemência que muitas vezes fica parecendo que os melhores líderes delegam virtualmente tudo. Se olharmos à nossa volta, encontraremos não poucos administradores que fazem exatamente isso – eles entregam ou despejam tanto nas costas dos outros, que acabam perdendo a noção de muito daquilo que está rolando em seus próprios negócios.

Um dia desses eu estava com um amigo que falava ao telefone com o seu patrão, inventando respostas à medida que conversava com ele, pois os empregados estavam cuidando de tudo e o cara não tinha a menor ideia do que acontecia do lado de fora da sua luxuosa sala refrigerada. Mesmo para mim que estava totalmente por fora do assunto, estava mais do que claro que as respostas disparadas pelo meu amigo eram o mais puro papo furado, e quando eu o fitei com um olhar incrédulo, ele piscou para mim como se dissesse, “Eu sei ou não sei levar esse cara no bico?”

Administradores que ficam muito grudados nas pessoas e nos seus projetos muitas vezes dão a impressão de ser improdutivos e ineficientes, pertencentes à velha escola do micro-gerenciamento. Mas é importante saber a diferença entre entregar as coisas e manter as mãos longe das coisas. Sim, um bom líder precisa delegar – de maneira apropriada, pensada e efetiva – mas o grande líder delega sem jamais tirar o dedo do pulso do seu negócio; em outras palavras, ele nunca permite que terceiros interponham-se entre ele e as coisas que fazem bater o coração da sua empresa. Vejamos os tópicos mais importantes:

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Empregados.

Este é o elemento mais importante do seu negócio, e ponto final. Sem um bom pessoal, você não tem bons produtos, não tem clientes felizes e, a propósito, provavelmente você sequer terá um negócio. Conheça a sua gente (de preferência, pelo nome), respeite-os, faça-os crescer e não os administre lá do alto. Em outras palavras, não delegue a sua conexão com o motor humano do seu negócio.

Clientes.

Você não tem de atender pessoalmente a linha do seu help desk, ou participar das investidas de vendas (ainda que isso possa ajudar), para estar próximo das pessoas que pagam as suas contas. Mas se você toca um negócio de qualquer tamanho, e não é capaz de nomear os seus 10 maiores clientes de olhos fechados, há algo de muito errado na sua empresa.

Produtos.

Em certas feiras de negócios em que a gente vai, você encontra administradores e executivos – é verdade, porém, que quase nunca eles são proprietários de pequenos negócios – que estão tão por fora dos seus próprios produtos, que levam você pelo braço até um de seus vendedores, e escutam a demonstração com a mesma curiosidade que você. Repetindo, você não precisa sujar as mãos na sua linha de montagem (ainda que isso possa ajudar) para estar familiarizado com aquilo que você vende. Alguns dos mais legendários presidentes de algumas das maiores e bem sucedidas companhias – uma gente cuja cadeia de delegação pinga através de milhares de indivíduos – que mesmo assim são capazes de falar com você o dia inteiro sobre os seus próprios produtos. Se eles encontram tempo para ficar de olho nessas coisas, você também tem de encontrar.

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Números.

Pode ser que você tenha um gerente financeiro da pesada, uma equipe de contadores e uma turma de operações bem lubrificada, mas se você administra um negócio, não interessa quem mais saiba dos números essenciais, você tem de saber isso também. Vendas, margem bruta, lucros/perdas, inventário, sejam quais forem as estatísticas críticas do seu empreendimento, essas coisas devem estar sempre dentro da sua cabeça. Se você precisar dar um telefonema ou mandar um e-mail para saber “como estamos indo” este mês, isso não é delegação – isso significa simplesmente que você não está no comando do seu negócio. Numa boa, sim, você pode encarregar alguém de relatar-lhe os números todo dia, toda semana ou todo mês. Mas você não deve simplesmente memorizar os números que alguém vai-lhe empurrando; você precisa estar realmente conectado ao desempenho da sua empresa.

Como muitas outras coisas, quanto maior for o seu negócio, mais difícil será ficar próximo de todos os detalhes. Mas não importa se você emprega dez pessoas ou mil, nunca se esqueça que você ainda é uma delas (mesmo que você seja o dono… especialmente se você for o dono).

Portanto, não interessa quanta gente você tem para transmitir as suas ordens, você não pode deixar tudo na mão deles. Se você delegou tanto que, no final, perdeu o contato com o coração e a alma do seu negócio – a sua gente, os seus produtos e o seu desempenho – você abriu mão das mais importantes ferramentas de que precisa para estar à frente da sua empresa.

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Marco Fernandes

ProLucro Consultoria Empresarial

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