Sumário ExecutivoSó existem dois tipos de empresas: as que estão dando lucro e as que estão dando prejuízo. O empate aí é uma improbabilidade matemática. Empresas que dão lucro vivem, as outras morrem. Ou seja, se lucrar é explorar ou pecar, é preciso então pensar se é possível uma sociedade sem empresas.
O homem é um ser social. Sua forma de organização mais primária, a família, é uma organização social, com divisão de funções dentre seus membros. Só que uma família sozinha não conseguia sobreviver na pré-história. Era preciso que várias famílias se organizassem em tribos. E para que isso fosse possível, as tarefas eram divididas entre todos os membros de todas as famílias. Algumas mais difíceis, como caçar, eram as grandes empresas da época. A primeira definição de empresa em alguns dicionários é exatamente “ação árdua e difícil que se comete com arrojo”. Outra: “empreendimento para realização de um objetivo”.

Organizar-se em torno de um empreendimento comum, muitas vezes árduo, sempre foi, assim, parte da história do homem. E à medida que os empreendimentos foram se sofisticando, as empresas também o foram. Uma nação é uma grande empresa. Se as empresas existem, e de forma geral dão lucros, nos resta perguntar quem deveria ficar com esses lucros. Na pré-história, supõe-se que o resultado da caça fosse distribuído entre todos da tribo. Mas será que em cotas iguais? Parece pouco provável. Entre os animais, os mais fortes sempre ficaram com mais. Essa diferença, arrisco dizer, é a forma mais primitiva do lucro. E foi a capacidade de raciocinar que fez o homem questionar porque alguém deveria ficar com mais. Só que a mudança para a razão parece só ter trocado os mais fortes fisicamente pelos mais fortes intelectualmente. E a desigualdade permaneceu. E ampliou-se com o advento do juros, outro tema polêmico que deixaremos hoje de lado.

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É desse caldeirão de contradições, natural para uma espécie em evolução, que se alimentam as duas principais fontes de questionamento do lucro, o socialismo e a religião. Ambos, cada um à sua forma, nascem e vivem de questionar a diferença entre os homens, ainda que com diversas e significativas diferenças, entre si e dentro de si.

O socialismo, e sua forma mais radical, o comunismo, defende que o lucro seja redistribuído para a sociedade. Na verdade, as empresas seriam da sociedade. Filosoficamente sustentável, na prática não tem conseguido se firmar como uma proposta viável de organização da sociedade. Todas as tentativas fracassaram, provavelmente por conta da própria natureza humana, ainda não tão racional. Conseguirá isso um dia? Talvez, mas certamente em bases bem diferentes das já tentadas. E enquanto esse “novo-socialismo” não consegue sequer ser idealizado, é razoável considerar o lucro de uma empresa uma exploração? A resposta lógica nos parece não. Negar algo sem propor uma alternativa não é razoável.

A religião já apresenta contornos mais complexos. O que já foi considerado um pecado oficial, tem sido abrandado ao longo dos séculos. A igreja protestante, dentre as cristãs, foi a que mais evoluiu neste quesito. Para muitos, essa maior clareza com relação ao lucro é que permitiu aos países de religião protestante, como os EUA, se darem melhor economicamente que os de religião católica, como o Brasil. Uma pesquisa recente, publicada na revista EXAME, comprova aquilo que deduzimos em nossa vivência. O lucro ainda é algo visto com desconfiança pela população no Brasil. Basta dizer que, em uma lista de 10 objetivos de uma empresa, o lucro foi colocado em último. Os grandes empresários não pensam assim, mas os pequenos, não pesquisados, certamente estão no meio do caminho, ou seja, cheios de culpa.

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Não cabe a nós julgar a doutrina de qualquer religião, o que também não é necessário neste caso. Das principais que atuam no Brasil, nenhuma tem mais qualquer restrição dogmática ao lucro, desde que conseguido de forma ética, dentro das regras estabelecidas pela própria sociedade. E é disso que nossos pequenos empresários precisam se dar conta.

pequenas empresasUma empresa lucrativa é tudo que uma nação precisa. Ela gera e distribui de forma contínua riquezas, através de empregos, salários, benefícios, impostos, poupança, lucros e alimentando a corrente econômica, gerando o mesmo efeito em fornecedores e clientes. E são os impostos que alimentam a máquina pública, esta sim responsável pela correção das distorções geradas pela política de livre mercado. Já uma empresa que dá prejuízo, é a antítese de tudo isso.

Ao longo dos anos, percebíamos claramente esse conflito em vários clientes. Na hora do planejamento, da construção de metas, quantificar o lucro a ser perseguido era um incômodo para alguns, como se aquilo fosse um pecado uma exploração, ainda que o desejassem racionalmente. E foi em uma de nossas discussões internas sobre essa curiosa questão que alguém sugeriu mudarmos o nome da empresa para algo que remetesse ao lucro. Isso poderia ajudar os clientes a quebrarem essa barreira. E não atrapalharia os que não tivessem conflitos com o tema. As discussões foram polêmicas, já que também nós, da equipe, tínhamos nossos conflitos. Mas a inovação e o risco calculado venceram. E assim nasceu a marca ProLucro.

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Flávio Barcellos Guimarães
Consultor da ProLucro

 

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