Como prometido, vamos falar um pouco de corrupção. Nesses tempos, é um mal necessário, sem duplo sentido.

Já se vão alguns anos quando tomei uma atitude de caráter prático em relação à corrupção: eles roubariam meu dinheiro, mas não roubariam meu tempo, meu humor e minha dignidade. Diminui radicalmente a leitura das reportagens, criei uma casca protetora para o meu humor e aumentei o meu desejo de que essas pessoas sejam punidas pela justiça. E deu certo.

Hoje leio o mínimo possível sobre corrupção. Em geral a primeira matéria, eventuais revira-voltas, inevitavelmente os títulos subsequentes nas páginas dos jornais impressos e digitais, e o desfecho legal, quando publicado. Em geral, isso significa menos de 5% do que é publicado. Às vezes leio algum blog sobre o tema. Blogs são ótimos, principalmente se é de um especialista. Análises, pontos de vistas, são mais interessantes e construtivos. Além de curtos e objetivos. Em geral melhoram nosso senso de compreensão e argumentação. E comumente mudam nossas opiniões.

Como vêem, com essa simples prática economizo meu tempo e meu humor, sem me tornar um desinformado e omisso.

Mas e os corruptos? Como lidar com eles?

O primeiro passo é entender e aceitar que eles estão por todo lado, ao seu lado, todos os dias. Todo mundo sabe que corrupto não é só aquele que rouba grandes valores e sai nas páginas de jornais. Quem dá dinheiro para um guarda rodoviário não multá-lo ou para um funcionário burocrático agilizar um processo se junta ao time dos corruptos. Onde já estão, naturalmente, o guarda e o funcionário burocrático. Mas quando se trata de delitos menores e gente conhecida, nossa tendência é relevar, e achar que são pequenos desvios, insuficientes para merecer o rótulo de corrupto.

Eu acho que, de fato, existe alguma diferença aí que explica, mas não justifica. Uma educação que aceita estes pequenos delitos faz com que pessoas comuns os pratiquem sem culpa. Ou seja, se tivessem recebido outra educação, não o fariam. Com a educação melhorando, essa turma melhora. O problema está naqueles que receberam educação contrária e ainda assim cometem esses delitos sem culpa. Esses só não roubaram mais porque ainda não tiveram oportunidade. Seria interessante colocar todo mundo na frente de um botão que, apertado, daria a elas alguns milhões em barras de ouro, debaixo de suas camas, subtraídos da poupança de outras pessoas, tudo sem testemunhas. Tem um filme com um enredo parecido. Bom, você apertaria? Não quero saber a resposta.

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O fato é que nós não sabemos exatamente como somos, muito menos como os nossos conhecidos são. Tirando os notoriamente corruptos, existem muitos outros corruptos ocultos nas nossas relações, às vezes pais, irmãos, filhos, mulheres. Como muitos são amados, às vezes profundamente, são os seus, os meus adoráveis corruptos. . E se não sendo corruptos notórios, se não praticam sua maldade, melhor não saber. E com eles bem conviver. O que os olhos não vêem, o coração não sente. E lembremos que nesta lista podem estar eu e você.

A complexidade do tema aumenta, e muito, quando prospectamos a origem da maldade, o que faz com que uma pessoa seja corrupta. As explicações começam no campo da educação e vão até a genética. Sim, pra quem ainda não sabe, há muita gente séria e competente que garante que a genética é um grande, se não o maior, componente da maldade. Pesquise no seu buscador as palavras maldade e genética. Vai ler horas. Quando eu vi que é consensual a existência de pessoas incorrigíveis, que não possuem na sua estrutura qualquer traço de culpa, eu tendo a acreditar que a genética, sim, exerce influência. Esse é o pavor de muitos, que temem com isso estar dando a desculpa definitiva para os criminosos.

Esse medo não é objetivo, pois ele não desfaz a realidade. Se assim é, assim é. O ponto chave é como lidar com a realidade. E a resposta pra mim, neste caso, é simples: justiça.

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Do ponto de vista do outro, a gente é o que a gente faz, não o que a gente pensa. Uma pessoa com grande potencial para matar, se não o fizer ao longo da vida, na prática não foi má, ao contrário de um cristão convicto que subornou o guarda por que perderia a carteira de motorista. Assim, o que a sociedade precisa fazer, e já o faz, é determinar que atos merecem ser punidos e como. E depois, punir quem transgrediu.

A resposta da sociedade é, a partir daí, cartesiana. Se a punição, JUSTIÇA, é eficiente, a criminalidade fica em um dado patamar. Se a punição cai, a criminalidade sobe. Se a punição sobe, a criminalidade cai. Simples. Ou seja, se o mundo lá fora está mais duro, menos maldade sai da casca. Arriscando dar um exemplo, a aplicação “implacável” da justiça “salvou” Nova York. E com os mesmos habitantes. Ou seja, pouco importa se as pessoas são más por educação ou genética. Elas, a partir da sua predisposição de transgredir, cometem mais ou menos crimes segundo a perspectiva da punição. Vivenciamos isso já na primeira infância. É o famoso NÃO dos nossos pais.

O que vivemos hoje na política é muito simples de entender. É um lugar onde gira muito dinheiro, que são as galinhas. Isso faz com que mais raposas fiquem circulando ao redor. Se a punição, cercas, são frágeis, as raposas entram no galinheiro mais vezes. Nossas cercas estão tão frágeis que as raposas parecem morar lá dentro. As pessoas de bem, o esteio das cercas, enojadas, se afastaram. Poucos ainda se aventuram a ser políticos.

Bom, de volta a praticidade da vida, sugiro mais duas atitudes. Primeiro não se condoer por quem foi pego roubando, mesmo que for um amigo ou conhecido. Ele correu um risco calculado. É preciso que, se pego, pague por isso. Quando sair da cadeia, tomara que vá pra lá, você o perdoa e toca a vida em frente. Segundo, lute socialmente por uma nova e verdadeira justiça no Brasil. Vamos fazer campanha e votar em quem defende essa bandeira. A justiça brasileira está falida, moral e funcionalmente. Uns 10 anos de bom funcionamento e teremos um grande país, quase perfeito de se viver.

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E já pensando na reforma do judiciário, mais sugestões. Entendo que a função de juiz deve exigir da pessoa elevadíssimo espírito público-social, sendo a traição a esse espírito considerada crime hediondo ou lesa pátria. Mais do que isso, um juiz deve estar sujeito a penas muito mais duras que o cidadão comum se seus delitos envolverem o exercício da função. Por outro lado, deve receber os maiores salários e as melhores condições de trabalho. Regras contratuais. E que os interessados na carreira pensem bem antes de entrar. E acrescento a essa reforma tributária a tão decantada simplificação da parte processual. A lentidão dos julgamentos e a discrepância de resultados em relação aos advogados contratados são as maiores injustiças dentre todas, provocadas pelo atual labirinto processual.

Fico por aqui e até semana que vem, com um assunto mais empresarial. Acho que vou também falar um pouco dos retornos que o blog está recebendo. Ainda estamos buscando uma “linha editorial”. Alguma sugestão? Que tal nos enviar via o próprio blog? É só clicar na logo lá em cima. Ou aqui.

Abraços,

Flávio Barcellos Guimarães

Consultor Empresarial

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