Trabalho SujoO apresentador da série “Trabalhos Sujos” do Discovery Channel recentemente destacou a dicotomia de como o trabalho é percebido nos dias de hoje – de um lado, o ideal romântico do “trabalho duro,” e do outro, a noção urbana dos portadores de smartphones quanto ao “trabalho inteligente.”

Mas apesar do comentário do apresentador ter sido feito para ilustrar o contraste entre a nossa percepção de trabalho braçal versus trabalho intelectual, não podemos ignorar o volume de coisas que são escritas hoje em dia destacando o mérito de se trabalhar de forma mais inteligente, e não mais dura. Todos esses textos começam expondo a falsa concepção de que horas mais longas de trabalho conduzem ao sucesso, e então passam a explicar como cortar essas horas e aumentar a produtividade, repriorizando e tomando de volta “o tempo para nós mesmos.”


Segundo o analista Michael Moroney, o problema com a dicotomia “trabalho duro x trabalho inteligente” é que com excessiva frequência nós estruturamos uma escolha onde só podemos optar entre “duro” ou “inteligente.” A pergunta que deveríamos estar propondo é, por que não fazer os dois?

A nossa cultura de reverência pelo trabalho duro remonta aos ideais dos primeiros colonizadores do Novo Mundo, que possuíam uma incansável ética de trabalho e uma humildade de auto-privação. Essa mentalidade persistiu por mais de três séculos na história da América, à medida em que progredimos de uma sociedade agrária para o ambiente industrial. Mas em nossa transição rumo a uma economia de serviços – e particularmente durante a revolução digital do último quarto de século – começamos a perceber a primazia do trabalho duro como uma relíquia do passado industrial analógico, e passamos a ensinar os nossos filhos a trabalhar de forma mais inteligente, e não mais dura.

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Avançar na doutrina do “mais inteligente, não mais duro” trouxe certas vantagens para muitos em meio às gerações mais jovens. Ao confiar na tecnologia e priorizar o uso eficiente do tempo, nós nos tornamos hábeis em multi-tarefas e capazes de pensamentos criativos e empreendedores. Desde a nossa juventude, temos sido treinados para jamais estar satisfeitos com as maneiras convencionais de fazer as coisas, e estar sempre em busca daquele jeito melhor.

O trabalho inteligente pode ser essencial, mas é apenas metade da equação. Nenhum empreendedor ou executivo de sucesso vai dizer-lhe que o trabalho inteligente é um substituto para a aplicação de um esforço máximo a cada hora do dia. Para chegar ao topo da sua área, você precisa não apenas tirar vantagem da tecnologia e trabalhar com eficiência, mas também ser o primeiro a chegar no escritório e o último a ficar pela madrugada, depois que os seus competidores já estiverem roncando. O trabalho inteligente concede-nos mais tempo, mas esse tempo extra não significa nada, a não ser que o utilizemos de forma otimizada.

Presidentes de grandes companhias geralmente levantam-se às 6:15 da manhã, mas muitos já estão de pé antes das 5, e a maioria trabalha ao menos duas horas em casa após o jantar. Em alguns casos, eles regularmente encaram uma jornada de 18 horas de trabalho diário. Muitos desses líderes da indústria atribuem o seu sucesso ao fato de estarem trabalhando enquanto os outros não estão.

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Em seu recente livro, “Sem A Permissão Deles,” o co-fundador do reddit Alexis Ohanian atribui ao café a sua habilidade em queimar as duas pontas da vela ao mesmo tempo.

Como afirma o empreendedor startup Seth Priebatsch da SCVNGR, “Eu consigo produzir tanto fora das horas normais de trabalho quanto durante elas. Eu entrevisto gente aos sábados, tarde da noite, de manhã cedo… No período de startup, eu acho que você tem a escolha de ser produtivo ou de ter uma vida social, e eu escolhi ser produtivo.”

Se desejamos ser bem sucedidos, não devemos nos contentar em simplesmente trabalhar de forma mais inteligente. As pessoas de maior sucesso trabalham de forma inteligente, mas elas também trabalham excepcionalmente duro. Elas mantêm o mesmo nível de persistência e de aplicação, enquanto aprendem formas de fazer as coisas de maneira mais eficiente. Nem todos precisamos aspirar a nos tornar presidentes, mas para aqueles que o desejam, encontrar um jeito mais eficiente de fazer as coisas é só metade da batalha.

O trabalho duro e o trabalho inteligente sozinhos não bastam para o sucesso nos negócios – ingenuidade, visão, cálculo de riscos, e sorte, entre outros, todos desempenham um papel – mas ambos são essenciais, e está na hora de parar de tratá-los como se fossem mutuamente exclusivos. Jovens profissionais e empreendedores potenciais devem trabalhar de forma mais inteligente, mais dura, mais prolongada e melhor – simplesmente por que os seus competidores já estão eles próprios fazendo isso.

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Marco Fernandes

ProLucro Consultoria Empresarial

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