perfil empreendedorSe pensarmos bem, é difícil acreditar na existência de um protótipo do perfil empreendedor. Muitos experts bem-intencionados, e mesmo a experimentação empírica, gostariam de fazer-nos crer que a maioria dos empreendedores de sucesso cabem em um perfil pessoal específico. Alguns outros estudiosos do tema, porém, insistem que isso não passa de um mito.

Estes são, segundo os céticos, alguns mitos e falsas concepções quanto à personalidade do empreendedor:

O mito do corredor de riscos.

Esta é a noção clássica de que empreendedores são grandes corredores de riscos. Certamente alguns deles são – abrir um negócio é inerentemente, e estatisticamente, uma iniciativa arriscada por si só. Mas se observarmos bem, a maioria dos empresários é de fato avessa a riscos. Ou mais precisamente, eles estão dispostos a correr certos riscos necessários, depois de analisá-los cuidadosamente. Muitos não têm outra escolha diante da necessidade de oferecer uma garantia pessoal a um empréstimo, colocando a sua poupança e mesmo a sua residência na linha de fogo. Fora o risco da falência pura e simples, esse tipo de comprometimento pessoal é muitas vezes a maior aposta que um pequeno empresário desejará ou precisará fazer na sua carreira. É claro que existem malucos por aí, dispostos a arriscar não apenas o seu próprio dinheiro, mas também o dos outros, com escassas probabilidades de sucesso. Mas no vasto campo dos pequenos negócios, eles constituem antes a exceção do que a regra.

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O mito do eterno otimista.

Existe uma enorme quantidade de empresários muito bem sucedidos, muito ricos, que não se encaixam na mentalidade do “tudo vai dar maravilhosamente certo.” Isso não quer dizer que um forte senso de otimismo não possa ajudá-lo a superar os desafios estressantes do empreendedorismo. Mas um excesso de otimismo também pode fazê-lo tropeçar pelo caminho.

Mais de uma startup já foi para o brejo, e mesmo alguns negócios firmemente estabelecidos, enquanto os seus proprietários insistiam em cantarolar o traiçoeiro mantra do “tudo vai dar certo no final.” Um pouco de cinismo – e mesmo de pessimismo – não irá transformá-lo em um cara derrotista. Trata-se de uma proteção sadia e madura diante de certas coisas inevitáveis, contra as quais não há otimismo que resolva.

O mito do “nunca desista.”

Se existe um conselho que parece ressurgir mais do que qualquer outro, é o de que para alcançar o sucesso como empreendedor, você não deve nunca, nunca, nunca desistir. Um mandamento motivador e nobre, mas potencialmente perigoso. “Desistir” é um termo enganador e injusto. Há uma diferença entre simplesmente fraquejar, e saber quando tirar o time de campo quando algo não está funcionando bem, uma linha sutil que separa a tenacidade da tola teimosia. Nem todo negócio está fadado a ser um sucesso – a maioria não está – e nem todo mundo nasceu para ser um empreendedor. Às vezes, saber quando parar é uma qualidade muito mais sábia e sadia, do que permitir que uma persistência cega ou mal colocada empurre você para o buraco.

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O mito da auto-promoção.

Muita gente acha que grandes empreendedores precisam autopromover-se o tempo todo. Sem dúvida a capacidade de autopromover-se, a si próprio e ao seu negócio, é uma habilidade valiosa (ainda que possa, às vezes, ser levada longe demais). É óbvio que é melhor ter essa qualidade do que não ter, mas não se trata de um pré-requisito para o sucesso. Todos nós somos capazes de identificar alguma excelente empresa – que muitas vezes tem estado há anos na nossa vizinhança – que é tremendamente bem-sucedida, mas que opera discretamente sob o radar. A necessidade e a efetividade da auto-promoção variam de acordo com o tipo de negócio e com o seu público; com a natureza da indústria, da empresa e do proprietário; com a necessidade de financiamento ou assistência externa; e outros fatores. Um empreendedor de sucesso precisa ser capaz de falar de forma efetiva e convincente sobre o seu negócio, mas nem sempre isso implica em ter um grande megafone na mão.

Dito tudo isso, certamente existem características que são comuns aos empreendedores de maior sucesso, sem as quais eles provavelmente não teriam escolhido essa carreira. A maioria dos fundadores e proprietários de sucesso são ferozmente independentes, e capazes de trabalhar em um ambiente conturbado, desestruturado e em contínua mutação.

Muitos são ainda engenhosos, bons na solução de seus próprios problemas, e craques em fazer muito tendo pouco nas mãos. Todos possuem a sua própria versão de alguma paixão, e acreditam naquilo que fazem. Todos são capazes de sacrifícios, trabalham duro e fazem o máximo para acertarem.

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A imagem do empreendedor topa-tudo, que nunca desiste, impassível, que se comporta como uma força da natureza, e atropela as dificuldades como um rolo-compressor é romântica e bacana, e serve de inspiração para estórias fantásticas em blogs de negócios. Há certamente fundadores de grandes companhias que cabem nessa descrição e, em sua maioria, eles são dignos de admiração. Mas a posse de todos esses atributos não fará necessariamente de você um empreendedor vencedor, e nem a ausência de algumas dessas virtudes – ou mesmo de todas elas – irá condená-lo a um fracasso automático.

Empreendedores são diferentes, com certeza uma raça à parte. Mas eles não são feitos em série a partir de uma única fôrma.

Marco Fernandes

ProLucro Consultoria Empresarial

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