Metas e planejamento é um tema recorrente em meus trabalhos e textos, como no recente post Vai cumprir as metas de 2011?. Considero isso tão importante para empresas, e mesmo pessoas, que resvalo na obsessão. Mas não quis perder a oportunidade de compartilhar com os amigos, novas e fresquinhas reflexões. Elas foram inspiradas em fato verídico, mas maquiado para não expor terceiros.

Além de metas, vão juntas confissões de incompetências. Foi onde tudo começou.

De vez em quando, sem programar, paro para avaliar os meus cada vez menos comuns atritos interpessoais no trabalho. A evolução da minha carreira exigiu muito disso. Por vezes irascível, se eu tivesse ido ao terapeuta teria amadurecido mais rápido. Na realidade, ainda preciso. Meu comprometimento com o trabalho muitas vezes me põe em choque com o próprio contratante. Em especial em instituições públicas. Ocorrem situações em que quero fazer melhor, mais rápido ou ir mais longe do que ele quer. O problema é quando insisto muito, passo do ponto com os membros da equipe contratante. Aí perco a razão. Sou apenas um contratado.

Hoje avaliei meu último atrito. Eu e um Instrutor de Processos tínhamos que treinar uma equipe de dezenas de técnicos. Além de elaborar as rotinas, a outra meta do Instrutor era que todos os técnicos deixassem o treinamento sabendo usar as mesmas. A minha meta, além de colaborar na elaboração da metodologia, que os técnicos saíssem sabendo lançar nas rotinas as informações de forma correta. Bom, mas que outras metas estavam em jogo? Esses técnicos, por sua vez, tinham que avaliar, usando as rotinas em questão, projetos em seus estados, escolhendo os melhores, que ganhariam benefícios adicionais, potencializando seus resultados. Ou seja, a meta deles era escolher os melhores projetos para poder saber quais mereciam os benefícios adicionais, ampliando sua efetividade. E as metas dos projetos? Ampliar os benefícios dos melhores projetos e com isso ampliar mais ainda o fomento ao desenvolvimento econômico-social de suas localidades.

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Te pergunto agora, meu amigo, qual era, na realidade, a minha meta? Pense antes de passar adiante.

Meu trabalho e de todos os demais estavam sendo feitos pra quê? Ora, é fácil, fomentar mais ainda o desenvolvimento-econômico social de centenas de localidades. Por lógica, essa é minha primeira e grande meta. Toda e qualquer ação, planejada ou não, que eu tenha que executar, não pode, jamais, perder o foco na grande meta. É a minha opinião.

De volta à história, eis que nos deparamos com um problema no primeiro dia de treinamento. As rotinas estavam com um defeito de lógica, com muitos culpados, inclusive eu. Mas sem nenhuma culpa do Instrutor, só que caberia a ele consertar. Sem este conserto, a lógica da avaliação ficaria muito prejudicada, impedindo identificar quais eram, de fato, os melhores projetos. A eficácia e, por extensão, a efetividade de todo o projeto ficaria comprometida.

Fizemos uma reunião da equipe no fim do primeiro dia e propus que o treinamento do dia seguinte seguisse a lógica correta, e que avisássemos a todos que as rotinas seriam corrigidas à tempo. Tínhamos uns 20 dias para as alterações necessárias, que eram poucas, exigindo 20, talvez 30 horas de um programador, uma migalha frente às fortunas envolvidas. Para minha surpresa, o Instrutor colocou isso como algo improvável de acontecer, pois qualquer alteração no projeto original precisava seguir uma série de protocolos burocráticos e teria que entrar na fila de tarefas agendadas. Na opinião dele, o projeto tinha que seguir à frente com este erro, que não era dele. E seus argumentos encontraram eco em outros participantes da reunião.

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Ou seja, ele tinha duas metas e queria cumpri-las. A primeira foi elaborar as rotinas. Estavam prontas. A segunda, ensinar os técnicos a usá-las. Pronto. Ele não podia responder por problemas criados por terceiros e com isso prejudicar outros trabalhos. Estava insensível a qualquer argumento. Ia apenas ver se dava pra arrumar, sem qualquer garantia ou comprometimento na construção de alternativas. Não vi má fé, talvez um pouco de má vontade. Mas o que faltou mesmo foi capacidade de percepção que a grande meta estava indo pro buraco.

Aí começaram os meus problemas. Depois de 20 minutos, a reunião não saia do lugar. O sangue ferveu. Rude, fiz veemente exposição sobre o nosso verdadeiro papel no processo e que não podíamos perder o foco na grande meta. Aquela reunião não tinha tempo para longos rosários sobre culpas e obstáculos. Precisávamos primeiro definir novas metas e pactuarmos o seu alcance. Cada um deveria por na mesa como ajudaria. E era claro que a nova meta principal era consertar o erro das rotinas, impedindo que ele prejudicasse a grande meta. Os ânimos se exaltaram, ocorreu o desgaste, mas o bom senso prevaleceu, o planejamento da solução foi feito e a execução está em curso. O treinamento do segundo dia foi feito considerando as rotinas corretas.

Tudo bem, “campeão”. Você entende de metas e conseguiu virar o jogo. Mas não dava pra fazer tudo sem brigar?

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Dava. Até me desculpei com todos depois. Leite derramado. Deixei gente brava e a fim de pisar no meu pescoço. Dificultei minha carreira mais uma vez. Mas deixemos isso pra outro dia.

O que eu quero falar mesmo é de metas. O tema é muito mais complexo do que parece. A construção de boas metas não é fácil. Tão pouco deixar claro na cabeça das pessoas que participam de um processo que elas têm metas próprias, mas também as de todo o projeto. Tem muita gente indo com máxima eficiência na direção errada, atrapalhando em vez de ajudar. Acho que vou falar de eficiência, eficácia e efetividade no próximo post. Sobre inteligência emocional vai ter que esperar eu evoluir mais um pouco.

Este é um problema recorrente em organizações. O time não tem uma grande meta, quando muito as individuais, mas às vezes antagônicas.

Responda agora, rápido, e por escrito:

Qual é a grande meta de sua empresa ou instituição?

Qual é a sua meta?

Vacilou, dançou.

Abraços,

Flávio Barcelos

Consultor Empresarial

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