Realizar o prejuízo é uma expressão muito usada na bolsa de valores. Significa vender ações mais baratas do que o preço pago na compra. As pessoas fazem isso quando acham que a tendência é de baixa, que o valor das mesmas vai cair mais ainda, aumentando o prejuízo. Assim, optam por estancar as perdas naquele ponto e assumem em definitivo o prejuízo daquela operação, já que com a venda das ações, não há mais como recuperar o valor perdido. Aí é pegar os recursos que sobraram e partir pra outra, tentar recuperar em outro investimento. Aquele já era.

Esse termo não se limita à bolsa. Pode ser utilizado em qualquer tipo de investimento. Mas, pra mim, também no dia-a-dia dos negócios e mesmo na vida pessoal. Eu uso muito. Essa objetividade desconcertante do mundo de negócios me é muito útil.

Um exemplo fácil. Batida de carro. Você e um barranco. Saio, olho o prejuízo, xingo, me xingo. Xingo de novo se o prejuízo foi grande ou vai avacalhar muito meu programa. Esse processo de descarga pode levar de 1 a 5 minutos. Aí vem a razão. Tem como recuperar o prejuízo? Não. Aí realizo mentalmente o mesmo e pronto. Relaxo, chamo a seguradora e parto pra outra. Ficar remoendo, me culpando, brigando vai diminuir ou aumentar o prejuízo? É claro que vai aumentar. Além do dinheiro, vai ter que bancar o estresse e decisões provavelmente erradas por serem tomadas de cabeça quente. Ou seja, a tendência é de baixa, realiza logo o prejuízo.

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Uma breve derivação. Ah, não tem seguro? Bom, aí não sou eu. Mas se fosse, mesma coisa, só que demoraria um dia, em vez de 5 minutos. Mas pra realizar a burrice de não ter seguro. Isso já aconteceu, há 30 anos. Aprendi que quem não tem dinheiro pra pagar seguro, não tem dinheiro pra ter carro. E que seguro é coisa de classe média. Rico não precisa, mas costuma ter. E pobre não tem carro, não precisa do seguro.

Voltando, essa técnica se aplica a tudo: uma estrada errada, um hotel horrível, um prestador de serviço ruim. Xingo, nunca as pessoas, extravaso, e realizo. Me desculpem o termo vulgar, mas eu o adoro. O que eu faço é ligar o “foda-se,” meu eficiente aparelho de realizar o prejuízo.

E sabe aquele parente ou amigo que te prejudicou? Penso bem em como fui deixar que isso acontecesse e como não acontecer de novo. Se tenho parte na culpa, é mais fácil. Se não, se foi tudo culpa dele, mais raro, ligo meu segundo aparelho fantástico, o “perdão.” Custei a aprender a usar o “perdão,” pois de fato ele é muito difícil de manusear, e leva muito mais que 5 minutos. Mas necessário. Ver um desafeto em um encontro de amigos ou parentes me incomodava. Mesmo a perspectiva de vê-lo já era ruim. Precisava de uma solução. Afinal, meu desafeto continuava a me prejudicar, aumentando meu prejuízo. Nestas horas, não bastava o “foda-se,” realizar o prejuízo passado. Tive que aprender a usar o “perdão,” única forma efetiva daquela pessoa não me atingir mais. O perdão é difícil porque tem que ser verdadeiro. A gente não se engana. Bom, às vezes.

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Meu conselho então é este: não importa como, seja nos negócios, seja na vida pessoal, realize mais rápido os prejuízos, tornando-os menores e liberando energia para o por vir.

É isso aí amigo, minha filosofia é de botequim, mas garanto que eficaz. O que achou?

Abraços,

Flávio Barcellos Guimarães

Consultor Empresarial

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