Esta é uma das abordagens mais interessantes que conheço sobre perfil profissional e, por isso, adoro utilizar. Infelizmente não achei mais o primeiro texto que li, o que me impede de citar o autor. Ao longo dos anos vi mais uma ou outra abordagem similar. Isso tudo se misturou às minhas observações do dia-a-dia, mais alguns textos meus, e não consigo mais separar o que é meu do que é de terceiros. Só o principal e essencial, a sacada do primeiro autor: a sistematização do nosso perfil em três tipos – o técnico, o gerente e o empreendedor. É muito didático. Vamos a um resumo:

O Técnico

É o cara concreto. O que pega com a mão na massa. O engenheiro que projeta, o padeiro que faz o pão, o mecânico que conserta, o pedreiro que constrói. Sua realização é ver um trabalho tangível, tocável, pronto: o projeto no papel, o pão quente, o carro andando de novo, a casa pronta. Seu desafio é fazer as coisas cada vez melhores e mais rápido. Não se importa, ou mesmo gosta, de trabalhar sozinho. Gosta de horários, mas esquece deles quando em frente de um desafio técnico. Gosta de ir pra casa com o dever cumprido, relaxado. Pra ele, o gerente e o técnico são uns teóricos. Ele, sim, é que constrói o mundo. Sem ele, tudo não passaria de palavras.

O Gerente

Esse gosta é de ser o maestro da banda. Tem boa parte dos conhecimentos do técnico, quase sempre já foi um, mas não gosta mais de sentar e fazer. Sua realização é coordenar pessoas para que tudo saia conforme planejado. Ama a repetição, pois ela significa fazer tudo sempre igual, perfeito, se possível. Adora cumprir horários e ir pra casa com o dever de casa cumprido, relaxado. Gosta de lidar com gente. E também acha que é ele que faz o mundo. Afinal, o que faria um bando de técnicos descoordenados? Pior pensa do empreendedor. De vez em quando tem grandes sacadas, mas, no dia-dia, não passa de um teórico, sonhador. Quando entra na empresa é pra atrapalhar, pois está sempre querendo mudar coisas que ele custou pra colocar funcionado redondinhas.

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O Empreendedor

É o visionário, o criador. Onde os outros veem problemas, ele vê oportunidades. Mobiliza ao seu redor os recursos necessários para concretizar uma ideia. Tem metas, planeja, lidera, persiste. Não liga pra horários. Quase não relaxa. Sua realização pessoal é realizar coisas novas, transformar sonhos em realidade. Está sempre procurando algo novo pra fazer. Está seguro de que se não fosse ele, o mundo não evoluiria.

É fácil ver que o mundo precisa de todos. E em doses equilibradas. Um empreendedor que só quer realizar novos empreendimentos pode ser péssimo para os negócios. Uma empresa precisa passar por um processo de maturação de uma nova unidade de negócios, em especial começar a dar lucros sólidos e consistentes. São esses lucros que irão pagar o investimento feito e gerar recursos para o próximo. É comum empresários que mal concretizaram uma ideia partirem para outra, mesmo que isso signifique desfocar a equipe e comprometer o caixa. É quando o desejo de um prazer pessoal supera a racionalidade. Quantas empresas já vi em dificuldades por este motivo…

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Outro exemplo. A maior parte das empresas nasce quando uma pessoa adquire um boa qualificação e possui perfil empreendedor. Segura pelo conhecimento adquirido e com a força interna do empreendedor, ela se arrisca, abre uma empresa. Aí ela tem que sobreviver ao primeiro ciclo de morte, que pega as empresas que nasceram sem pesquisa, plano de negócios e o montante adequado de recursos.

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empreendedor-individualSuperada esta fase, a tendência é dos negócios prosperarem. Aí vem a segunda rodada de mortalidade. A empresa tem mais funcionários, fornecedores e clientes. E mais burocracia pra cumprir. Nascem o escritório e novos custos fixos. E o dono? Sai da produção e vai pra administração. A empresa, ao mesmo tempo, perde um excelente técnico e ganha um mal gerente. Não por não saber gerenciar, mas por não gostar. Por ser inconstante. Empreendedores raramente gostam das funções de gerente. Se sentem mais à vontade na produção ou na criação de novos projetos. Odeiam a repetição, a burocracia.

E os outros perfis? Da mesma forma é ruim um gerente radical, pois tenderá a ser avesso a mudanças, boicotando novas iniciativas, não importa de onde venham. Prejudica, assim, melhorias de produtividade e de competitividade, que podem culminar em uma falência. Assim como é ruim um técnico radical, que evita trabalhar em equipe, desenvolver ideias em conjunto, adotar técnicas desenvolvidas por terceiros. Igualmente prejudica a produtividade e competitividade. Além do clima organizacional.

E quem você é?

Certamente uma mistura destas três características. Ninguém é só uma delas, mas quase sempre tem uma delas mais aflorada. O importante é se conhecer e lidar melhor com essas características.

Bom, era pra falar agora como lidar com isso. Mas o texto já ficou grande. Tem horas que blog é um saco.

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Abraços,

Flávio Barcellos
Consultor e Diretor

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